Ri, Coração!
Leve e denso ao mesmo tempo. Riso e também o seu avesso. Do profundo solitário e cruel emerge o palhaço. O fardo flutua. Sonho concreto esparramado no picadeiro. Máscara de alegria, sincera alegoria. Ri, coração, tristíssimo palhaço!




Amém

Trilha Sonora: "Isaac", Madonna.

Breve comentário sobre Confessions on a Dance Floor, que está fresquinho no meu CD player:

A batida disco cansa, mas é a proposta. É interessante, de qualquer modo, imaginar tantos sentimentos derramados numa pista de dança. A batida disco eletrônica é atual, soa como house, às vezes lounge, criativa salvo alguns excessos. Isaac é primorosa, modeeeeeerna! E faz referência direta a antiqüíssima tradição. Madonna sabe que sempre será preciso reverenciar o Abba. Sabe como fazer com que queiramos o que ela está oferecendo...

 

Agora o post do dia propriamente escrito:

Meu pai sacrificou seu velho e doente cão. Meu pai é velho e sabe que será sacrificado quando ficar doente. Isso se tudo correr bem. Sacrifício é libertação. Gesto de amor. Decisão.
Meu pai libertou seu cão da dor física, da humilhante perda do vigor, da decadência prolongada até o último fio de vida. Libertou a si da dor de ver o amigo sangrar. Libertou-se do medo egoísta da saudade, que no fundo é sempre boa.
Sacrifício é tomar um rumo, abdicar do presente pelo porvir. É depositar um bem precioso no altar em nome de um desejo maior. Pode ser felicidade, ou o fim do sofrimento, ou ambos, a mesma coisa.
A dignidade do sacrifício só é arranhada pelo arrependimento. Se foi sacrifício, não se pode voltar atrás. O resultado, satisfatório ou não, é a própria busca. O risco está contido na aposta, no melhor. Na fé. A relação não é comercial. Não há preço, nem nota fiscal, nem mercadoria. O futuro é sempre escuro, e o que pensamos sobre ele é sonho, imaginação.
Sacrifício é opção. Seja qual for o depois, terá sido melhor assim. Porque assim foi feito.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 12h35
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Fórceps

Trilha Sonora: "Sympathy For The Devil", Rolling Stones.

O diabo me pega pela nuca. Primeiro pousa a mão fria na confluência entre pescoço, ombros e costas. Depois crava as unhas, e então os dentes. A dor me repuxa os músculos e se concentra na parte de trás da cabeça. Não corre sangue, mas sou envenenado com saliva de variados demônios. O medo se aloja na corrente sangüínea, a dúvida se esconde nas articulações ósseas, a insegurança rasga os tecidos musculares. Viro pedra atormentada e solitária. A agonia comprime o coração, e o oxigênio tem um labirinto a percorrer antes de me alcançar os pulmões.
Quando menos espero e quando nada indica perigo, o diabo me pega pela nuca. Por instantes me imobiliza, me faz contorcer o corpo, me desmancha o semblante, me cega e ensurdece. As garras afiadas e sujas me vencem momentaneamente, me tiram o sono, me obrigam a vigília torturante. Luto e abro os olhos, aguço a audição, reviro os compartimentos de memórias boas. Consigo resistir e me desvencilhar quando aumento o volume do som, afasto as cortinas, banho meu corpo em água limpa, solto o riso e faço amor.
Gritos, choro e ranger de dentes não compõem o inferno eterno, mas o gozo do expurgo, da libertação do mal, da aceitação da vida. Berro como um recém-nascido a cada vez que escapo da abertura estreita pela qual o diabo me puxa, pela nuca, para o engano e o fracasso. E então repouso no colo da existência, me entrego ao aconchego da canção de ninar, mamo com força no peito da poesia em busca de fortaleza, mantenho ao menos a alma pura. Vou crescendo alimentado pela promessa de que, sim, o diabo vai desistir de mim.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 14h17
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Abertura

Trilha Sonora: "My Way", Frank Sinatra.

Basta de explicações. São elas que definem o que é normal e o que é loucura. Tentam separar o bem do mal, desfazer o dual, liqüidar o contraditório.
Basta de regras, conselhos, lógica, bom senso, bom-mocismo. Certeza para nada serve, e tanto menos servirá quanto mais distante estiver no futuro. É inútil temer a surpresa, que afinal se impõe de qualquer modo.
Basta de prevenção, de ansiedade, de recusa. Viver não é traçar uma linha reta, rígida, monótona. A eternidade só existe no infinito, no ignorado, no que não tem limite.
Explicar é chegar, fechar, concluir. É função posterior, não prévia, sempre incompleta, aberta a novos elementos, sujeita a interferências que só o tempo é capaz de acionar.
O tolo lança âncora na calmaria, o imbecil o faz na tempestade. O mar e o vento são soberanos. Só navega quem se solta, respeita o que não controla, respira e se deixa levar.
Vencer o medo do naufrágio significa descobrir, enriquecer, ver outras paisagens, abrir caminho para o inédito, para algo que nunca se viu antes. Para o que, porque não havia, não tinha explicação.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 11h00
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Isso não!

Trilha Sonora: "Super Homem", Gilberto Gil.

Notinha no Caderno 2 do Estadão de hoje:

"Sobre a censura ao beijo gay prometido e não cumprido no último capítulo de América, houve quem observasse que Glória Perez teve autonomia até para demitir o diretor de núcleo da novela, Jayme Monjardim, mas beijo gay, ah, isso não. A Globo estuda meios de aplacar a fúria da tribo GLBT, com ligeiros toques de simpatia à causa em sua programação. Tudo muito casto, claro."



 Escrito por Palhaço Bocudo às 09h53
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Já pro armário!

Trilha Sonora: "Telma, eu não sou gay", Ney Matogrosso.

"América" Urgente! Globo bota as bibas no armário! Cortaram o beijo gay!
Gay pode. O que não pode é sexo gay, aí é perversão! Na realidade, eles cortaram os paus dos gays! Pode animar novela, mas não pode transar! Gay tem que ser assexuado
(hummm... que cheirinho de Vaticano...)! Gay tem que ser como desenho do Walt Disney: como o Pato Donald que anda peladinho, mas não tem sexo, da barriga vai direto pras perninhas! (Donald só tem sobrinhos... será que ele é gay?)
Gay tem que ficar no armário! Pode dar uma saidinha, ferver em pista, aparecer em novela, alavancar audiência, mas, na hora do gemido da cabrita, tem que voltar pro armário. Voltem pro armário, suas bibas ensandecidas! É como na charge do Zerramos: "Lula e Bush trocam elogios e beijo gay é que é imoral e indecente?" Todos pro Procon! Propaganda enganosa!

Taí. O Zé Simão disse tudo sobre o assunto, hoje na Folha de S.Paulo. Assino embaixo. Os parênteses são meus.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 09h28
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Boicote

Trilha Sonora: "Maurício", Legião Urbana.

O universo conspirou, a platéia estava atenta, o silêncio aguçou os ouvidos. O interesse cresceu, a audiência subiu, os festejos foram preparados. A promessa rendeu contratos, mobilizou corações, despejou lágrimas incrédulas.
Os aplausos não irromperam, contudo. Choque, frustração, longa e determinada vaia. Tudo é permitido, tudo foi mostrado, a licença poética permite um sem-número de violências e imoralidades. O amor parece insuportável.
Os anunciantes aproveitam a polêmica, a publicidade engorda, o assunto corre em todas as rodas. Até mesmo a ligeira crítica ao Tio Sam passa no filtro da censura. O tabu é explorado e atrai a atenção do povo. E no final a receita desanda. O poder prevalece. A autoridade se impõe.
Não. Nada pode ser tão obsceno quanto um beijo... Um simples e corriqueiro beijo a esconder mundos. A branca beija o negro, a ninfeta beija o tio, a solteirona beija o amante casado, o cego beija o cachorro, a polícia beija o crime, o americano beija a ilegal, a vilã beija a lona, os idosos se beijam nas faces, a matriarca viúva beija o peão, o limbo beija o inferno, a santa beija o pecador, Caim beija Abel, o dinheiro beija o vazio, a mania beija a socialite, a beata beija qualquer macho, o seqüestrador beija a vítima, o retardado beija a imigrante, o boi beija o espírito humano, a mãe beija o filho, que não beija ninguém...
Um beijo não pode ser mostrado, mesmo que todos saibam que acontece, aconteceu e continuará acontecendo. Pode acontecer entre quatro paredes, detrás das cortinas, no escuro da noite, no submundo, no subsolo social, entre as árvores nos cantos dos parques, nos antros, no gueto. O poder tolera bichas, travestis, piada, caricatura. É obrigado a engolir 2 milhões de pessoas em parada na principal avenida do País. Mas não tolera um natural, conseqüente, espontâneo, puríssimo beijo entre dois homens jovens, bonitos, saudáveis e inteligentes que se escolhem mutuamente em meio à abundância de bocetas generosas, loiras e frescas que não podem ser preteridas... Onde já se viu?



 Escrito por Palhaço Bocudo às 15h53
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Pródigo

Trilha Sonora: "Miss You", Blink 182.

Optei pela inconstância. Bani das minhas relações o conceito de exclusividade. Não pertenço a alguém para ser de todos um pouco. Eu defino quanto será esse pouco. Eu controlo a situação, meu corpo, meu coração. As pessoas recebem de mim só o que eu quero dar. Assim não corro riscos, não serei roubado, não sofrerei. Se alguém avançar sobre o limite permitido eu recuo, mas não caio. Uma ferida pequena fecha mais rápido.
Me protejo e não seco, alimentado pela ração artificial de sucessivos envolvimentos de algum modo amorosos. Efêmeros, rasos. Às vezes simultâneos, múltiplos. A comida industrial, mecânica, mantém minha fome na dosagem exata. Não como mais um pão, mas desfruto de variada oferta de pequenas migalhas. Aos montes.
Me preservo e não queimo. Não exponho minha pele às temperaturas superiores da paixão. Não ardo. Não espalho fagulhas, não incendeio. Mantenho a chama quieta e domesticada.
Optei e sabia. Constante então seria a solidão.
Eu não sabia o que é a solidão. Não sabia o que é a perdição. Me vi incapaz de acreditar numa declaração de amor. O amor que me é devido não cabe numa única pessoa. Eu só acredito quando sou amado ou pareço amável para muitas pessoas, o maior número possível, de todos os sexos, idades, etnias.
As migalhas. Menores e pulverizadas. Não aplacam mas aliviam.
Solidão é viver aliviado. A dor quase desaparece. Eu repetiria mais três vezes. Então volto a me aliviar. Outra vez involuntariamente constante.
Solidão é labirinto. Tentação. Giro em círculos, ciclo.
Existe uma saída.
Não sei onde a coragem.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 11h51
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Ode

Trilha Sonora: "Justify My Love", Madonna.

Com ele me realizo.
Também como bicho.
Cada imperfeita parte do meu corpo contribui, umas mais outras menos, para o prazer que ele sente quanto estamos como dois animais. Todo o prazer dele é também o meu, porque nossas formas não se opõem. Coincidem. Convergem.
Quando o toco em determinado ponto imagino que ele sinta o que eu mesmo sinto quando ali sou tocado. O toque é perfeitamente mútuo. O prazer recíproco mantém a tensão de cada um em órbitas próximas que se buscam para a explosão simultânea. Única. Possível mediante a mistura mágica dos meus hormônios com os dele.
Com ele não há pudor, civilidade, boas maneiras. Só natureza, ímpeto, instinto irresistível que tem de ser realizado, exercitado, vivenciado em nome da identidade primordial.
Nele encontro as texturas, os odores, o calor, a umidade, a rigidez, os contornos que compõem o meu desejo.
Não obstante o amor e a suspeita de que são nossas almas que na verdade se tocam, com ele posso ser bicho. Mordo, lambo, babo, grito, bato, apanho, gemo, me debato na luta frenética pela fusão selvagem, pelo retorno ao primitivo onde não existem leis ou ciência, ao cúmulo misterioso onde se origina a faísca primeira de todo o resto.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 12h33
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De-colagem

"Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite, que a liberdade seja nossa própria substância".
(Simone de Beauvoir)

"A liberdade não é uma escolha entre vários possíveis, mas a fortaleza do ânimo para não ser determinado por forças externas e a potência interior para determinar-se a si mesmo. A liberdade, recusa da heteronomia, é autonomia."
(Marilena Chauí)

"A liberdade é diretamente proporcional à solidão".
(Palhaço Bocudo)



 Escrito por Palhaço Bocudo às 17h21
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Estratática

Minha tática é
Olhar-te
Aprender como és
Querer-te como és

Minha tática é
Falar-te
E escutar-te
Construir com palavras
Uma ponte indestrutível

Minha tática é
Ficar em tua lembrança
Não sei como nem sei
Com que pretexto
Mas quero ficar em ti

Minha tática é
Ser franco
E saber que és franco
E que não nos vendamos
Simulacros
Para que entre os dois
Não haja véu
Nem abismos

Minha estratégia é
Ao contrário
Mais profunda e mais
Simples
Minha estratégia é
Que um dia qualquer
Não sei como nem sei
Com que pretexto
Por fim me necessites.

(Mário Benedetti)



 Escrito por Palhaço Bocudo às 16h53
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Furacão

Trilha Sonora: "Unravel", Björk.

O nosso se desintegrou. Puf! Afrouxaram os nós, o nós. Endurecemos demais. Alijamos sentimentos proibidos, indesejados, inviáveis. O plano falhou, perdemos o controle. Entendo as razões mas não te absolvo. Quebrou e não pode ser refeito. Teremos que recomeçar.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 14h32
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Dinossauro verde

Trilha Sonora: "Não Vale a Pena", Maria Rita.

Você pôs um preço em nossa relação. Choque, estilhaços, arranhões. Um fio de sangue escorre sobre nossa fotografia, separando os sorrisos. Minha amizade não está à venda. Você cometeu um erro ao tentar me intimidar, ao impor condições, ao determinar o que posso e o que não devo. Sofro, mas posso prescindir de você. Difícil sempre é, de qualquer modo. Poderia ser mais fácil se nosso afeto permanecesse gratuito, natural, espontâneo. Amigos apesar de tudo. Mas não. Você amesquinhou o que tínhamos. Ciúme, inveja, covardia, alguma patologia burguezóide, resignação, estagnação, solidão consentida e acatada, sei lá o que houve e te provocou tão estranha (para mim) atitude. Aprendi há tempos que amor não dura para sempre. Ainda acreditava que algumas amizades perdurassem - o maior milagre humano. Estou sendo obrigado a reescrever a velha lição, agora revisada, ampliada e corrigida: o para sempre sempre acaba.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 16h12
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Contração

Trilha Sonora: "Grávida", Marina Lima.

Mudanças estão latentes. Toda semente aguarda apenas condições adequadas para germinar. E ser maior, planta, árvore, flor, fruto e outra vez sementes. Novas sementes carregadas do que já foi e repletas de frescor. Ainda vou ser órfão, marido, avô, velho, aposentado, rico, famoso. Ainda tenho muitas lágrimas e gargalhadas no almoxarifado. Medos e alegrias espreitam na próxima curva. Quero, desejo, prossigo. Parto exige coragem, o novo eu me chuta por dentro. Se não me abro ele morre e eu, viro cadáver. Esqueleto seco e mofado. Vestígio do passado findo e do futuro abortado. Nada presente, sono sepulcral sem sonho, vazio agora permanente. Nascer dói. A beleza nasce suja, triste, exausta. E chora anunciando o dom de existir.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 15h16
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Selva

Trilha Sonora: "Pra não dizer que não falei das flores", Geraldo Vandré.

Eu defendo os direitos individuais. O cidadão, especialmente o "de bem", tem direito a portar arma de fogo, a armazenar veneno, a guardar explosivos, criar cães ferozes, talvez organizar uma milícia de guerrilha junto a seus pares. Todos "de bem". Nunca se sabe, afinal, quando e como serão atacados. O cidadão tem direito à pedofilia, ao machismo, à discriminação, ao abuso econômico, à apropriação, à tirania. O cidadão tem direito à legítima defesa, à reação desmedida a qualquer agressão. O cidadão pode ofender, julgar, condenar. Desde que esteja protegido (armado) contra a ofensa, o julgamento, a condenação. Que vença o mais forte. Ética é conversa fiada. Os inimigos são muitos, e tendem a aumentar em número e em poder de fogo. Não faça amor. Faça a guerra. Você tem o direito.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 17h39
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Li verdade

Trilha Sonora: "Blues da Piedade", Cazuza.

A liberdade só pode ser alcançada na autenticidade. Só são livres os que são, em contraste aos que representam, fingem, atuam para agradar a outros antes de agradar a si. As crianças exemplificam o conceito. Criança chora, berra, grita, ri, fala, mexe, tenta, cai, levanta, chora de novo e continua arriscando possibilidades. À medida que lhes põem freios perdem a espontaneidade da tenra infância. Deixam de ser livres. Não podem comer tudo o que gostam, são obrigadas a comer o que é saudável. Não podem incendiar a cortina, não podem isso nem aquilo, e a lista de deveres só aumenta. É preciso reprimir os desejos individuais que agridem o outro, do contrário não haveria sociedade. Repressão é prisão, cerceamento, limite. Mas pode ser espontâneo, voluntário. Deixo de cozinhar fígado quando sou o único que aprecia a iguaria na casa. Posso comer o bife do botequim na esquina, sem impor ao outro o meu paladar. Nem sempre, nem sempre. A criança cresce e vai adotando os comportamentos e falas que são esperados de alguém que cresce, mesmo que não concordem com o seu eu livre interior. A sociedade deve reprimir o que ameaça o bem comum. O resto é com o indivíduo. Mas indivíduos livres não servem como massa de manobra, não constituem mão-de-obra barata e passiva. O poder necessita de indivíduos aprisionados, perturbados, dependentes. Com o perdão do clichê, a liberdade é subversiva. E escorre pelo ralo da cidade suja. A criança não pode mais gritar durante horas enquanto os adultos ao redor fazem o possível para acalmá-la. E passamos a vida buscando resgate. Esta é a dor do mundo. Homens e mulheres querem gritar, chorar, falar, mexer, arriscar, brincar i-no-cen-te-men-te... poucos podem. Poucos têm coragem. Poucos são livres, autênticos. Só estes são respeitados.



 Escrito por Palhaço Bocudo às 16h38
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